Fernando de Noronha

Pausa de 06/01/2015 a 12/01/2015


Foram dias intensos, do café da manhã com a simpática Dona Ana Lúcia até o samba do Muzenza no final do dia. Quase 17km de trilha, além das paisagens mais bonitas que já vimos e contato direto com a natureza: da pequena Mabuya à Tartaruga-de-Pente.
Pode esquecer a previsão do tempo, todo dia é ensolarado, com uma brisa que deixa o clima bem fresco.

 Mirante para a Baía dos Porcos

Mirante para a Baía dos Porcos


O preço que se paga

Deixando a passagem aérea de lado, o custo alto de Noronha se resume a: taxas para entrar na ilha e seus altos preços para consumo.

 Chegando em Fernando de Noronha, é preciso trocar o comprovante de pagamento da taxa de acesso ao PARNAMAR pelos cartões-ingresso. Você pode fazer isso em qualquer posto do ICMBio (tem um ao lado do Restaurante Flamboyant, entrando na Vila dos Remédios).

Chegando em Fernando de Noronha, é preciso trocar o comprovante de pagamento da taxa de acesso ao PARNAMAR pelos cartões-ingresso. Você pode fazer isso em qualquer posto do ICMBio (tem um ao lado do Restaurante Flamboyant, entrando na Vila dos Remédios).

Taxa TPA:
Para somente entrar na ilha é preciso pagar a TPA (Taxa de Preservação Ambiental), que por dia de estadia é R$ 51,40.

Taxa para acesso ao PARNAMAR:

Existe também taxa para acesso ao Parnamar (Parque Nacional Marinho). Brasileiros pagam metade do preço, que é um valor unitário de R$ 81,00. Cada estrangeiro, então, paga R$ 162,00.

Atenção: esses valores podem sofrer reajustes em certos períodos.

 

Prepare o bolso também para os altos valores com hospedagem, jantares em restaurantes e outras coisas como garrafinha de água (R$5,00), porção de fritas (R$40,00) e cerveja longneck (média de R$10,00 - R$15,00).


"Água aqui é ouro"

É uma certa ironia escutar essa frase de moradores de uma ilha.
Toda a água que é utilizada em Noronha é desalinizada, podendo ser também proveniente da chuva ou a água potável é enviada por comboio do continente para a ilha. Por isso que ela está longe de ser abundante, sendo assim, não abusem!


Transporte na ilha

Buggy: meio de transporte mais prático, mas os mais caro - R$ 200,00 reais por dia. Na semana de ano novo chegam a cobrar R$ 700,00 por dia. Sai mais em conta para quem vai viajar com uma turma de 4 ou 5 pessoas, dividindo assim essa despesa.

Táxi: tem em abundância no centro e permite que você agende um horário para te buscar nas praias. Pra cada destino há um preço fechado.

Ônibus: “galinha”, como eles chamam. Teoricamente eles passam de meia em meia hora, das 6h da manhã até às 23h. Passagem sai por R$ 3,00, mas os pontos de ônibus são na BR e eles não entram nas trilhas para as praias (como os taxis e buggys).

Caronas Solidárias: algumas vezes que fomos de ônibus até o começo das trilhas para as praias, fomos surpreendidos com caronas solidárias - o que é muito comum por lá.


Segurança

Podemos dizer que nos sentimos bem seguros em Noronha, como bons paulistanos desconfiados e agarrados nas bolsas, a liberdade que sentimos por lá foi grande e nos fez nos sentir muito à vontade.
Parece que o maior trabalho da polícia são as pessoas que bebem demais e saem fazendo baderna. Solução para isso é um dia de cadeia e pronto.


Ilha desconectada

Uma das reclamações gerais, principalmente vinda dos turistas, é a internet que quase não existe.
Uma dica é um sinal de wi-fi que há ao lado do Palácio de São Miguel. Por lá encontramos o melhor (isso não significa que ele seja bom) wi-fi da ilha, de nome "noronhadigital".


Controle de pessoas

O governo tem um controle rígido de quantas pessoas devem morar na ilha e até de quantos turistas podem entrar por período. Atualmente a população de Noronha é de aproximadamente 4.500 pessoas, contando turistas e moradores.
Um problema para procura de mão-de-obra na ilha é que não se pode contratar pessoas do continente, a não ser que alguém esteja deixando Noronha.
Outro fato é que você pode até morar lá, mas tem que ter um emprego com carteira registrada ou ser empresário (dono de um comércio, pousada, agência de passeios, etc.) ainda mais pra não ter que pagar a TPA.


POR ONDE ANDAMOS


Forte do Boldró - Pôr-do-sol
Fomos pro Forte do Boldró ver o pôr-do-sol umas 17h. Procure chegar cedo pra arranjar um espacinho e conseguir ver tudo, já que o lugar lota de gente com suas câmeras pra deixar registrada toda aquela beleza.

 Pôr do sol do Forte do Boldró

Pôr do sol do Forte do Boldró

Praia do Sancho

Fomos pra praia do Sancho de ônibus e paramos no ponto da BR, bem perto da estradinha que leva até a praia em uns 20 minutos de caminhada. Assim que começamos, um carro que estava indo pra lá nos ofereceu carona e chegamos mais rápido na praia considerada a mais bonita do mundo

 Mirante para a Praia do Sancho, eleita a mais bonita do mundo. As manchas escuras perto das ondas são sardinhas - elas formam um círculo ao redor dos banhistas.

Mirante para a Praia do Sancho, eleita a mais bonita do mundo. As manchas escuras perto das ondas são sardinhas - elas formam um círculo ao redor dos banhistas.

Só o mirante já é de tirar o fôlego e de ficar lá tirando inúmeras fotos. Pra descer até ela que é um pouco tenso, porque existem duas escadas de ferro entre umas fendas na rocha e depois mais uma escadaria, mas o cansaço mesmo é pra subir tudo aquilo na volta.

 Escada que dá acesso à Praia do Sancho

Escada que dá acesso à Praia do Sancho

 Nuvens de sardinhas, comuns no rasinho da Praia do Sancho

Nuvens de sardinhas, comuns no rasinho da Praia do Sancho

Já entramos na água com máscara e snorkel. Pra todas as praias e piscinas naturais é uma boa levar máscara e snorkel porque a magia mesmo está dentro da água.


Baía dos Porcos

Perto da praia do Sancho está outro mirante e o cartão postal de Noronha, a Baía dos Porcos com os Dois Irmãos. De tirar o fôlego. Depois de pirar com aquela vista, decidimos descer até a Baía, o que é uma caminhadinha, mas, de novo, conseguímos uma carona, dessa vez com um surfista.

 Mirante para a famosa Baía dos Porcos - cartão postal de Fernando de Noronha

Mirante para a famosa Baía dos Porcos - cartão postal de Fernando de Noronha

Saindo da Baía dos Porcos, passamos pela Praia do Bode e vimos um casal alimentando uns pássaros enormes com umas sardinhas e também quis fazer isso, mas fiquei com um medinho de ver aquele bico grande aberto quase pegando o meu dedo e saí tensa na foto.

 Dois Irmãos, da Baía dos Porcos

Dois Irmãos, da Baía dos Porcos

Trilha do Abreus

 Dando comida para os pássaros na Praia do Bode

Dando comida para os pássaros na Praia do Bode

 Trecho mais difícil da Trilha do Abreus e, no fundo, a recompensa: piscinas naturais.

Trecho mais difícil da Trilha do Abreus e, no fundo, a recompensa: piscinas naturais.

Essa trilha é curtinha e fácil, porém há uma descida íngreme e escorregadia, onde só se tem a ajuda de uma corda. Dá umas 3 horas ida e volta e há o mergulho em 2 piscinas naturais. Lembrando que em todas as piscinas é obrigatório o uso do colete salva-vidas para evitar qualquer contato com os corais.

 Explorando por entre os corais em uma das piscinas da trilha do Abreus

Explorando por entre os corais em uma das piscinas da trilha do Abreus

 Pequena piscina natural no final da Trilha do Abreus

Pequena piscina natural no final da Trilha do Abreus

Baía do Sueste e suas tartarugas

Fica bem perto da trilha Abreus. Para entrar lá, é necessário o cartão do ICMBio. Como estava muito calor, chegamos lá com vontade de tomar uma cerveja, quando descobrimos que nos postos de apoio das praias (PICs) não são vendidas bebidas alcoólicas. Então, tomamos um Gatorade que deu quase no mesmo rs.

Mergulho pela Baía: R$ 80,00 (o casal) para o guia + R$ 6,00 do aluguel de cada colete. O passeio dura em torno de 1 hora e conseguimos ver muuuuitas tartarugas, a maioria bem de pertinho. Elas eram lindas e muito grandes.

 Tartaruga-de-pente adulta, na Baía do Sueste

Tartaruga-de-pente adulta, na Baía do Sueste

Praia do Leão

Fomos de táxi até a Praia do Leão e logo do mirante já nos deparamos com uma vista maravilhosa de uma praia deserta, mar azul, piscinas rasinhas, enfim, mais um pedaço do paraíso.

 Mirante para a Praia do Leão

Mirante para a Praia do Leão

Passeio de Prancha VIP

Um ônibus de passeio nos pegou na pousada e nos levou até o porto pra fazermos o passeio da prancha VIP, ou mergulho à reboque, o qual você segura em uma prancha pequena, com os braços esticados e é puxado pelo barco devagar enquanto fica olhando e admirando o fundo do mar. No porto há um recife de corais muito grande e uma diversidade de peixes. Quem tem sorte consegue ver até golfinhos bem de perto, infelizmente não foi o nosso caso.

 Porto de Fernando de Noronha.

Porto de Fernando de Noronha.

 Barco onde foi realizado a Prancha VIP. Durante o passeio, ele anda no máximo a 3 km/h.

Barco onde foi realizado a Prancha VIP. Durante o passeio, ele anda no máximo a 3 km/h.

Praia da Conceição

A mais agitadinha da ilha e, em comparação com as outras, essa realmente é agitada, mas não como as praias de SP e RJ. É só porque tem um bar, vários surfistas, pessoas jogando vôlei, etc.  O bar que tem na praia é o Bar Dudarei. Ambiente agradável, pé na areia, só os preços que são bem altos.

 Pôr do sol na Praia da Conceição

Pôr do sol na Praia da Conceição

Trilha Capim-Açu

Às 8 da manhã já estávamos indo para a trilha mais pesada de Noronha, a do Capim-Açu.
Entramos na mata e fomos subindo, subindo e subindo até o farol, com algumas paradas em mirantes com vistas lindas. Depois disso descemos tudo, com alguns barrancos no meio do caminho até uma piscina natural bem pequena só para darmos uma refrescada antes da parte mais tensa que era andar quase 3km de um caminho somente de pedras.

 O primeiro mirante da trilha do Capim-Açu.

O primeiro mirante da trilha do Capim-Açu.

Parece pouco, mas quando você tem que prestar atenção em cada passo que se dá pra não acabar se esborrachando e se quebrar todo, 3km parecem 20km! Pra piorar, não levamos água o suficiente, e quando dizem pra cada pessoa levar pelo menos 1,5 litro, é porque é realmente necessário. Passar sede nessas trilhas é uma das piores coisas que pode acontecer.

 Mirante para a ponta da Sapata, região buscada por mergulhadores pela presença do naufrágio do Corveta V-17 da Marinha do Brasil. Outro fato interessante: é o local da ilha que aponta para o continente.

Mirante para a ponta da Sapata, região buscada por mergulhadores pela presença do naufrágio do Corveta V-17 da Marinha do Brasil. Outro fato interessante: é o local da ilha que aponta para o continente.

Em resumo a trilha foi bonita, mas difícil demais E não foi a nossa preferida. O final dela, que aconteceu lá pelas 14h, valeu muito porque foi na praia do Leão, uma das nossas preferidas e claro, com a alegria de ter chegado lá, demos um mergulho pra comemorar e relaxar.

 Segunda parte da Trilha do Capim-Açu. Tá vendo aquela mancha bege lá no fundo? É a praia do Leão, o ponto final da trilha.

Segunda parte da Trilha do Capim-Açu. Tá vendo aquela mancha bege lá no fundo? É a praia do Leão, o ponto final da trilha.

 Pedras de todos os tamanhos nos últimos 3km da trilha do Capim-Açu.

Pedras de todos os tamanhos nos últimos 3km da trilha do Capim-Açu.

Buraco do Galego

No fim de uma tarde fomos conhecer o Bar do Cachorro e vimos que bem perto dali fica o Buraco do Galego. Fomos correndo pra lá porque a maré já estava subindo. É um buraco entre as rochas e o mar, que tem mais ou menos 3 metros de profundidade.

 Buraco do Galeco, localizado na Praia do Cachorro

Buraco do Galeco, localizado na Praia do Cachorro

Trilha do Atalaia 

Depois do trauma que passamos na trilha do Capim-Açu, fomos pro Atalaia preparados com muita água, tanta que até sobrou. Após um pouco mais de 1km há a parada principal na maior piscina. Ela tem só alguns centímetros de profundidade e é a que tem o maior recife de corais, então o uso do colete é indispensável e não se pode tocar em nada.
A cada meia hora entrava um novo grupo de 15 pessoas pra ver toda aquela beleza com uma diversidade enorme de peixes, alguns polvos, etc.

 Piscina do Atalaia

Piscina do Atalaia

Fomos seguindo para a trilha longa e tivemos mais duas paradas em piscinas naturais, sendo a última com uma maior profundidade, então tinha uns peixes maiores e diferentes.

A trilha termina na Praia das Caieiras, fica até repetitivo se dissermos que essa praia é linda, neh?! E ouvimos dizer que quando tem lua cheia, ela nasce lá e é um espetáculo.
Apesar da Trilha do Atalaia também ser bem longa, há mais paradas para descanso, mais piscinas e a achamos a mais bonita.

 Trilha longa do Atalaia

Trilha longa do Atalaia

Praia do Porto

Depois de visitar o museu do tubarão fomos pra praia do Porto. Logo quando chegamos, vimos um filhote de tubarão nadando no rasinho!! Dizem que os tubarões lá não atacam por eles terem comida suficiente no mar, é só também não ficar atiçando o bicho. A gente simplesmente confiou em todos que falavam isso e caímos na água pra ver os tubarões mais de perto.

 Filhote de Tubarão Limão, na praia do Porto

Filhote de Tubarão Limão, na praia do Porto

Pessoas especiais

Conhecemos várias pessoas interessantes que fizeram parte da nossa viagem, mas 3 delas foram especiais e queremos falar um pouquinho sobre elas aqui.
Dona Ana Lúcia: a cozinheira que cuida do café da manhã e que, toda sorridente, te dá um bom dia contagiante e bate o maior papo.
Xaxá: guia turístico da ilha. Quando perdi meu snorkel dentro do mar da praia do Sancho, fiquei sem esperanças depois de procurá-lo muito. Até que surgiu o Xaxá e ele achou o equipamento em menos de 10 minutos! Ele disse que há mais de 30 anos nada por lá. 
Seu Severino: taxista que mora na ilha desde 1958. Ele foi pra Noronha quando tinha por volta de 14, 15 anos dentro de um avião cargueiro da aeronáutica. Nunca tinha voado de avião e morreu de medo naquele dia, tanto que ouvimos de um outro taxista que ele inflou o colete salva vidas sem necessidade, só por precaução caso o avião caísse no meio do mar.

Seu Severino disse que os tempos naquela época eram outros, que a ilha pertencendo a Brasília e com influência militar, nada faltava pra ninguém, muito menos caranguejos que naquela época havia em abundância e que agora, se você os caça, você pode ser multado em cerca de R$ 5.000,00 por caranguejo apreendido dependendo do tipo.

Onde comemos

Toca da Tapioca. É muito bom!! Comemos lá quase todos os dias. Além das deliciosas tapiocas, tem o açaí com creme de cupuaçu. Delicioso e muito refrescante.

Xica da Silva. Pedimos o carro chefe do restaurante que é o Peixe Mestiço: peixe ao molho de manjericão e purê de abóbora gratinado com camarões. Uma delícia que já até recebeu prêmios gastronômicos na ilha.

Festival Gastronômico do Zé Maria: Maravilhoso! O festival acontece somente de quarta-feira e sábado. O preço é um pouco salgado e o melhor é reservar com no mínimo duas semanas de antecedência, porque lota! Tirando um pouco da bagunça que é pra se servir, tudo valeu muito a pena.

Se você está de casal ou sozinho numa mesa pra quatro ou mais, você divide a mesa com outras pessoas, o que pode ser estranho no começo já que normalmente isso não acontece, mas foi muito divertido.

Cacimba Bistro: restaurante pequeno perto da igreja. É gostoso, mas esperávamos mais dos pratos.

Muzenza: é uma pizzaria que por volta das 23h, as mesas são afastadas e o lugar se transforma numa baladinha ao ar livre. Na noite que fomos tocou um pouco de tudo, de Alcione, passando por pagode, reggae, até axé.

Bar do Cachorro: bar e restaurante que de sexta rola um forró pra lá de animado que começa a ficar bom mesmo por volta da meia noite.

Mundo Verde: o açaí com sorvete de tapioca é incrível!!

O Pico: restaurante bonito, aconchegante, com uma comida muito boa que fica logo na saída de Noronha. Ótimo atendimento.


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