Berlim

Pausa de 26/08/2014 a 31/08/2014


"Alemanha é uma coisa, Berlim é outra."

E chegamos na cidade mais queridinha e mais conhecida da Alemanha pelos viajantes. Berlim é realmente vibrante e a achamos bem diferente de todas as outras cidades que fomos durante a viagem. “Alemanha é uma coisa, Berlim é outra”, é o que dizemos pra quem foi apenas pra Berlim e acha que conheceu a Alemanha.

 Estação de metro Görlitzer Bahnhof, em Kreuzberg. Nosso apartamento ficava há 3 quadras daqui.

Estação de metro Görlitzer Bahnhof, em Kreuzberg. Nosso apartamento ficava há 3 quadras daqui.

Podemos dizer que ela é única, mas não tinha como ser diferente simplesmente por todos os momentos históricos que a marcaram em um único século.

 A famosa Oberbaumbrücke, ponte sobre o rio Spree e ao lado da East Side Gallery.

A famosa Oberbaumbrücke, ponte sobre o rio Spree e ao lado da East Side Gallery.

 O primeiro semáforo do mundo, na Potsdamer Platz, ainda em funcionamento.

O primeiro semáforo do mundo, na Potsdamer Platz, ainda em funcionamento.

 

A chamamos também de “a cidade rebelde do país”, obviamente por toda sua história e seu povo “solto”, respirando finalmente a liberdade e não querendo mais largar dela. E esse sentimento se mistura facilmente com a arte que pode ser vista em museus, em galerias, mas principalmente espalhada pelas ruas.

Outro fato que ocorreu na nossa viagem é que, por mais que tivéssemos ido em alguns lugares em Hamburgo que contava fatos da II Guerra e do Nazismo, foi só a partir de Berlim que realmente mergulhamos nesses assuntos obtendo mais conhecimento sobre eles. Antes disso, a nossa viagem estava mais sendo resumida a cervejas, comidas típicas, conhecer a cultura tradicional do país, seus vários pontos turísticos e suas cidadezinhas pitorescas.


O que fizemos lá:

Vale ressaltar que o bairro onde você se hospeda pode ajudar na sua impressão da cidade. Nós ficamos em Kreuzberg, bairro conhecido por ser descolado, ousado, multicultural, com artistas aspirantes, fora a grande parte dos moradores que são turcos e árabes, povo que ajudou a cidade a se reerguer depois da II Guerra.

Ali fica o Gorlitzer Park, um parque que tínhamos que atravessar todos os dias pra sair e voltar para onde estávamos hospedados. É um lugar curioso, pra não dizer estranho, com uns caras que se aproximam a todo momento soltando um “iôu” e vendendo diversas substâncias ilícitas, principalmente cocaína. Eles enchem o saco, mas não são agressivos.

 Gorlitzer Park: Área com intenso tráfico de drogas no bairro de Kreuzberg. Aqui vão te oferecer cocaína com a mesma frequência que as mulheres oferecem massagem na Tailândia.

Gorlitzer Park: Área com intenso tráfico de drogas no bairro de Kreuzberg. Aqui vão te oferecer cocaína com a mesma frequência que as mulheres oferecem massagem na Tailândia.

Curtimos bastante esse bairro pelo seu ar meio “underground”, pelos resquícios que ainda guarda de sua história e pela sua arquitetura sem arranha-céus e prédios moderninhos que há em outros lugares da cidade.


 Tempelhofer Park

 Entardecer no Tempelhofer Park

Entardecer no Tempelhofer Park

Assim que chegamos em Berlim, pegamos umas bikes e fomos direto pro tal Tempelhofer, um aeroporto hoje desativado que foi construído para ser de uso exclusivo de Hitler na época do nazismo.
Depois da última aterrissagem de um avião nele, em 2008, as pistas foram transformadas em um enorme parque público. Há espaços com gramados, minigolfe, biergarten, instalações artísticas, além claro das próprias largas pistas que são ótimas pra pedalar, andar de skate, patins, correr. Esse é um lugar que você PRECISA conhecer.

Reichstag

Para visitarmos o parlamento alemão que fica em um dos principais edifícios da cidade, isso incluindo a subida até o domo de vidro, foi preciso fazer reserva pela internet dos tickets antes mesmo de irmos viajar através do seguinte site: www.bundestag.de. Com a reserva conseguimos também evitar uma fila enorme, principalmente de estudantes.

 Pátio externo do Reichstag, o parlamento alemão, um dos cartões postais de Berlim.

Pátio externo do Reichstag, o parlamento alemão, um dos cartões postais de Berlim.

Uma vez dentro, pegamos gratuitamente o audioguia e aprendemos mais sobre a história do edifício, as funções do parlamento e sobre Berlim, através de fotos e documentários expostos ao redor do centro do domo. Enquanto subíamos as suas rampas em formato de espiral, podíamos avistar os marcos da cidade e saber mais sobre eles.
Depois da visita, como o dia estava lindo, demos uma relaxada no gramado em frente ao edifício.

 Cúpula de vidro no topo do Reichstag, de onde se pode ter uma vista em 360 graus de Berlim. A engenharia da cúpula faz com que todo o interior do Reichstag seja resfriado, como se fosse um ar condicionado gigante.

Cúpula de vidro no topo do Reichstag, de onde se pode ter uma vista em 360 graus de Berlim. A engenharia da cúpula faz com que todo o interior do Reichstag seja resfriado, como se fosse um ar condicionado gigante.

Portão de Brandemburgo

Antigo portão da cidade, foi reconstruído no final do século 18 e, imponente, é um dos marcos mais importantes da Alemanha. No último século, o portão obteve um maior destaque quando houve a divisão da cidade. Depois da queda do muro que foi construído bem na frente dele, acabou se tornando um símbolo da reunificação alemã.

Memorial do Holocausto

É um labirinto de colunas de concreto que lembra muito um cemitério, construído em memória aos judeus europeus assassinados na guerra. Não tivemos tempo de visitar o centro de informações, mas ficamos explorando o memorial com toda sua simbologia.

Sabemos que dá vontade, mas não ouse ficar de pé nas colunas, muito menos saltar de uma pra outra, senão um inspetor bem bravo pode te dar uma bronca feia.

East Side Gallery

Por ser uma cidade repleta de símbolos marcantes, Berlim respira história e grande parte dela está a céu aberto. Um dos símbolos obrigatórios para se conhecer e tirar inúmeras fotos é a East Side Gallery. Um trecho de 1,3km, paralelo ao rio Spree, com a maior coleção de murais com pinturas de vários artistas internacionais cujo o objetivo é traduzir o que acontecia na época em que a cidade (e o país) estava dividido.

 Trecho mais badalado da East Side Gallery. É praticamente impossível tirar uma foto sem um intruso aparecer.

Trecho mais badalado da East Side Gallery. É praticamente impossível tirar uma foto sem um intruso aparecer.

Tiergarten

Como adoramos visitar parques em cidades, principalmente porque a maneira que mais curtimos conhecer os lugares é pedalando, uma visita ao Tiergarten, um dos maiores parques do mundo, era uma das prioridades em Berlim.

 Tiergarten. Você não pode sair de Berlim sem pedalar em um dos maiores parques do mundo. Dá pra perder fácil um dia inteiro só aqui.

Tiergarten. Você não pode sair de Berlim sem pedalar em um dos maiores parques do mundo. Dá pra perder fácil um dia inteiro só aqui.

A Coluna da Vitória, uma homenagem aos triunfos da Prússia na guerra no século 19, originalmente se encontrava em frente ao Reichstag. Ela foi deslocada por Hitler para a avenida que corta o parque com o objetivo de mostrar o poder alemão, pois aquela é uma das portas de entrada de Berlim. Em cima da coluna está a dama dourada que fica toda iluminada quando bate a luz do sol. Na base da coluna, ainda se consegue notar as marcas de tiros causadas na II Guerra.

 Coluna da Vitória. Dica: Chegue bem perto e observe as marcas de bala da época da Segunda Guerra Mundial, quando os aliados invadiram Berlim na reta final do conflito.

Coluna da Vitória. Dica: Chegue bem perto e observe as marcas de bala da época da Segunda Guerra Mundial, quando os aliados invadiram Berlim na reta final do conflito.

 Ou então suba até o topo pra ter uma vista panorâmica da cidade.

Ou então suba até o topo pra ter uma vista panorâmica da cidade.

Além de passear de bike pelo Tiergarten, pode se tomar uma cerveja em seu biergarten com vista para o lago Neuer See.

 Biergarten dentro do Tiergarten com barcos para que você possa explorar o Lago Neuer See.

Biergarten dentro do Tiergarten com barcos para que você possa explorar o Lago Neuer See.

Bauhaus Archiv

Pra quem curte design e arquitetura, o Bauhaus Archiv é uma parada obrigatória. Objetos e estudos originais, fotografias, documentos e relatos que informam sobre a história da escola e seus alunos durante a Segunda Guerra, que sofreram com o nazismo e acabaram indo parar em Tel Aviv, Israel.


Tour de Bike

Uma das melhores maneiras pra se conhecer uma cidade e saber dos marcos de sua história em um dia é fazer um tour guiado. Melhor ainda se for pedalando, já que se pode conhecer ainda mais lugares, otimizando assim o tempo que, na maioria das viagens, acaba sendo bem curto.

 Galera do passeio de bike passando dentro do Tiergarten.

Galera do passeio de bike passando dentro do Tiergarten.

Fechamos um All-in-one City Bike Tour com a Fat Tire e curtimos bastante. Alguns lugares já havíamos visitado antes, mas através do guia conseguimos ter informações extras sobre eles.
Seguem os pontos visitados: Checkpoint Charlie, Portão de Brandemburgo, Muro de Berlim (sem ser a East Side Gallery), Bunker do Hitler, Torre de vigia (uma das últimas remanescentes da época que a cidade era dividida), Luftwaffe Ministry (o edifício antes usado pelos nazistas que agora é o Ministério Financeiro da Alemanha), Coluna da Vitória, Memorial de Guerra Soviético, Reichstag, Bebelplatz (praça onde os nazistas queimaram inúmeros livros em 1933), Memorial do Holocausto, Topografia do Terror e o Tiergarten, onde o passeio termina em um Biergarten dentro do parque, que é quando a galera se reúne pra relaxar, comer e beber cerveja, claro.

Tour Alternative Berlim (Grafites)

Em um dos dias em Berlim, queríamos fazer algo diferente e que mostrasse mais o underground da cidade. Então seguimos a dica de um amigo e fomos fazer o Tour Alternative Berlin que é focado na cultura de arte de rua. Ele dura em torno de 2 horas e é gratuito, precisamos apenas dar uma gorjeta no final do passeio.

O passeio é interessante principalmente pela cidade ser rica em grafites e por nos mostrarem a identidade de cada artista, mas não achamos que seja algo indispensável de se fazer.

Caso se interesse, basta aparecer na frente do Starbucks da Alexanderplatz, ao lado da Antena de TV, nos horários de saída do tour: 11h, 13h ou 15h.
Para informações de outros tours, acesse alternativeberlin.com.


Museu Topografia do Terror e Centro de Documentação

Esse museu se encontra onde um dia foi a sede da Polícia Secreta (Gestapo) e do comando central da SS, e seu objetivo é relevar a identidade dos criminosos nazistas.

A exposição ao ar livre que se estende em paralelo com um trecho do Muro de Berlim, conta cronologicamente sobre o regime nazista, do seu surgimento, passando pelo seu auge até a sua derrota. Além de informar sobre a chegada das tropas aliadas, o pós guerra e as consequências causadas na cidade.
Já no Centro de Documentação que fica ao lado, o foco é mostrar através de painéis informativos, fotos, relatos e gravações originais dos discursos das autoridades, a ação da polícia secreta e da SS não somente na Alemanha, mas por toda a Europa.
Esse foi um dos últimos lugares que fomos em Berlim e como chegamos somente 1 hora antes de fechar, não tivemos tempo suficiente pra ver tudo. Foi bem interessante saber mais sobre a história com tantos outros detalhes. 


Jantar no Sphere (Restaurante da Torre de TV)

Saindo um pouco dos almoços e jantares “low budget” compostos por currywurst e döners, fomos em uma noite jantar no Sphere, o restaurante que fica no alto da Torre de TV.

 Torre de TV: Cartão postal e construção mais alta da cidade. Lá no topo, há um restaurante que gira 360 graus. É caro e é preciso fazer reserva, mas vale a pena.

Torre de TV: Cartão postal e construção mais alta da cidade. Lá no topo, há um restaurante que gira 360 graus. É caro e é preciso fazer reserva, mas vale a pena.

A primeira coisa a se fazer é reservar o jantar pelo site antes mesmo de partir pra viagem evitando assim a longa fila na entrada. Como não podia ser diferente, chegamos atrasados e foi a maior correria pra não perder o horário.
Também pagamos uma taxa extra pra nos sentarmos na janela, já que a experiência fica ainda mais emocionante pelo fato de o restaurante girar 360 graus e conseguirmos ver toda a cidade do alto. O legal é chegar um pouco antes de anoitecer pra conseguir tirar fotos bacanas com uma luz melhor.


The Bird

Assim que voltamos da Cracóvia pra Berlim, fomos correndo (literalmente) até o The Bird, já que faltava meia hora pra ele fechar. Era nossa última noite na cidade e, portanto, a última chance de comer o melhor hambúrguer de Berlim, como é popularmente conhecido.

 "Hamburguer da Casa", no The Bird - o melhor hamburguer de Berlim.

"Hamburguer da Casa", no The Bird - o melhor hamburguer de Berlim.

Pedimos o “Hamburguer da casa” e ainda bem que estávamos com fome porque o lanche é bem grande e vem com muitas, muitas fritas.

Bares e Baladas

De forma geral, a noite alemã é agitada por um som eletrônico pesado, algo que não é muito do nosso agrado.
Sabemos que Berlim é bem famosa por sua variedade de baladas incríveis, porém, como ficamos lá só 5 dias, não conseguimos conhecer muitos lugares, ainda mais que sempre priorizamos andar muito durante o dia. Reservamos 1 noite pra sair e fomos em 2 baladas um uma noite só: a Berghain e a Watergate.

Floating Lounge: Andando sem compromisso na beira do Rio Spree, vimos um hostel que fica dentro de um barco, o Western Comfort Hostel. Quando olhamos melhor, notamos que ele tem um bar, estilo lounge, onde cada noite rola uma festa com um tema diferente. Já decidimos que lá será nossa próxima estadia quando voltarmos pra cidade.

Club Der Visionaire: Na verdade, já que o Club Der Visionare ainda estava fechado no horário que aparecemos, resolvemos não perder a viagem e fomos em um bar perto dele só pra tomar uma cerveja e curtir a tarde gostosa que estava rolando na beira do rio.

 Vista para o Club de Visionaire (à direita).

Vista para o Club de Visionaire (à direita).

Berghain: Por mais que a gente não curta muito música eletrônica, decidimos ir nessa balada famosinha, ainda mais pelo fato curioso dela ficar em uma usina desativada no meio do nada. 
Já tínhamos ouvido dizer que os seguranças não liberam a entrada pra quem simplesmente quiser curtir a noite por lá. Na porta fica um cara que parece até uma caricatura. Por volta dos 50 anos, todo tatuado, de cavanhaque e cabelo branco, ele que aprova ou desaprova a entrada da galera.
Vimos tudo isso mais como um ponto turístico pra dar “check” do que como uma balada, já que não curtimos o som.
Logo que chegamos demos de cara com uma fila quilométrica, mas até que andava rápido. Cada vez que chegávamos mais próximo da porta e vendo a galera sendo proibida de entrar, mais ansiosos e tensos ficávamos. Quando chegou a nossa vez, ficamos sem muitos sorrisos:
- Estão só vocês dois? - perguntaram
- Sim - respondemos.
E nos liberaram!!! VITÓRIA!!!

 Fila gigante para entrar na famosa Berghain. Lá na frente, um velho tatuado e cheio de piercings analisa os trajes e diz quem entra e quem vai pra casa. Quando está chegando a sua vez, o silêncio da galera entrega: todos morrendo de medo de serem vetados.

Fila gigante para entrar na famosa Berghain. Lá na frente, um velho tatuado e cheio de piercings analisa os trajes e diz quem entra e quem vai pra casa. Quando está chegando a sua vez, o silêncio da galera entrega: todos morrendo de medo de serem vetados.

Tivemos que deixar a câmera no guarda volumes porque não pode tirar foto e gravar nada dentro da balada. Em resumo, bebemos 2 cervejas cada um, ficamos um total de 40 minutos e fomos embora rs.
Uma dica é, se vocês estiverem em um grupo grande, se dividam em grupos pequenos de no máximo 3 pessoas. Os seguranças não gostam de uma galera em muvuca entrando tudo junto.

Watergate: Saímos da Berghain, pegamos um táxi e fomos pra Watergate. Balada com nenhuma fila, entrada um pouco mais barata, mais bonita, com uma puta vista pro Rio Spree e música bem melhor que a balada anterior.

 Vista da balada Watergate para o Rio Spree

Vista da balada Watergate para o Rio Spree


Hospedagem

Nos primeiros dias de Berlim alugamos um quarto pelo AirBnb no apartamento gigante de Josaiah, um china doido muito gente fina. A localização do lugar era ótima, no centro de Kreuzberg, à duas quadras do Gorlitzer Park.

Apartamento do Josaiah
Endereço: Reichenberger Straße 116 - 10999 - Berlim - Alemanha

 

Depois de viajarmos para a Cracóvia, na Polônia, para visitar Auschwitz, voltamos para Berlim. Dessa vez, escolhemos um Ibis Budget bem no centro, próximo à Alexanderplatz. Nessa hospedagem contamos também com a ótima localização (fácil acesso para o metro e rodoviária principal).

IBIS CENTRO ALEXANDER PLATZ
Endereço: Mollstrasse 30 - 10249 Berlim

 

Veja também